domingo, 5 de outubro de 2014

O Homem-Rato ou Ecce Homo 3.0



O universo não é o um lugar de inteligibilidade. Um homem não é um ser mais civilizado que no passado. Tecnologicamente mais avançado, mas mentalmente continua primitivo. No entanto, uma mancha invisível avança sobre o inconsciente colectivo .

Os grande impérios da história forjaram o seu domínio com base em ferro e fogo.  Os escravos conheciam a sua condição. Mão –de-obra gratuita que erguia e mantinha os impérios.

Hoje, o escravo não conhece a sua condição. E se a conhece, não se liberta dela por medo ou conveniência. Não aguenta a censura social. Não suporta ouvir verdades incómodas, mas adora mentiras sociais e confortáveis. Faz lembrar o prisioneiro a quem o carcereiro deixa a chave na porta...

Assistimos à total banalização das relações humanas significantes. Ninguém cria laços, uma vez que a necessidade é substituída pela hiperligação da conexão permanente. A bulimia das sensações alimenta a insaciabilidade dos instintos e a simulação da ligação afectiva. É o tempo e o espaço físico que construem relações humanas densificantes e duradouras.

A máquina mediática ensaia nos novos escravos a perpetuação da sociedade do prazer. Não importam as pessoas. Importa o rodopio das sensações e das proezas do ego.

Em situações de pressão e de crise, aumenta o comportamento aditivo e de indiferença. A banalidade da imagem trágica incomoda, mas não muda o comportamento humano. É lá longe e virtualmente o homem pode ser senhor e não escravo.

As corporações secretas e financeiras ,desde os anos 30 do seculo XX ,aperceberam-se do elixir do poder eterno: Dar a ilusão de liberdade aos cidadãos e oferecendo bens de consumo à la carte. De vez em quando produzem uma crise, para testar se o homem continua a colocar no centro da sua felicidade  o dinheiro  , bens materiais ou tecnológicos. Quase como um estudo de mercado. E se mesmo assim não são convencidos , nada como implementar o marketing 3.0 e dar a ilusão que o produto trará status, abundância e amigos…

Mas domados no consumo e na comparação com o vizinho como é que o homem pode ter outros critérios de felicidade terrena? ...Se até , historicamente, as igrejas  e as religiões cobravam o seu tributo…

Eis a fraqueza humana a alimentar  a roda do mundo, eis o Homem -Rato no seu apogeu,  eis o Ecce Homo 3.0 num império invisível que parece  não ter fim…

 

Sem comentários:

Publicar um comentário